domingo, 27 de maio de 2012

A sensação de tocar os livros


Escola Pompeu Sarmento, Barro Duro. Sendo vizinha desta escola posso acompanhar através do vai-e-vem dos alunos e dos comentários dos seus pais a importância dessa escola para nosso bairro, além de já ter conhecido pessoalmente alguns projetos que são executados com sucesso em suas salas de aulas com alunos especiais e professores, por suas formações e capacitações. 

Fui recebida por sua diretora Maria José, que me apresentou a coordenadora pedagógica e a assistente social que cuidaram de toda organização e seleção das turmas que iriam participar,  por quanto a escola atende a um grande número de alunos em diferentes faixas etárias. Nosso encontro foi conduzido para o refeitório por ser espaçoso e reservado visto que a sala de leitura estava ocupada por uma turma com um projeto em desenvolvimento. 

As questões das plantas arquitetônicas das escolas nas quais as salas circulam seus pátios requerem uma maior mobilização da escola no sentido de pensar qualquer tipo de atividade como um todo, que envolva todas as turmas, caso contrário, servirá apenas de perturbação aos que não podem participar de dentro do evento restando-lhes apenas os ruídos.  A apresentação foi muito bem aceita e compartilhada por todos os alunos que interagiram de forma alegre e espontânea.

"Os livros só mudam as pessoas"



Fátima Maia 
Escola Paulo Freire, no sítio São Jorge. Cheguei com quase dez minutos de atraso depois de ter vasculhado o bairro quase que totalmente à procura da escola que quase ninguém sabia da sua localização. Fui recebida com expectativa pelos alunos e professores que achavam que eu não ia mais. Quando apertei a cigarra da escola vi, as cabeças que assomavam às portas das salas de aula numa demonstração da agitação que a espera os causara. 


Fui recebida pela diretora, coordenadora e supervisora que cuidaram de abrir os cadeados que os protegiam dos perigos oferecidos por alguns moradores indesejados. A presença do projeto Trem das 10 - leitura a todo vapor levou com certeza além da importância do projeto com a sua dimensão para o acervo escolar, a visita de um autor  que investido de sua condição e da sua responsabilidade propõe por meio do conhecimento e da aprendizagem uma mudança de atitude para os novos leitores como tão bem definiu Mário Quintana ao afirmar: 


“ Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. 


A apresentação do projeto nesta escola teve um sabor especial por incentivar o hábito da leitura como formação, informação, entretenimento e a possibilidade de sonhar e viajar pra um mundo muito melhor do que esse mundo de violência que os cercam. Contudo, recebi das crianças e dos professores a alegria do encantamento pelos olhares e expressões que acompanharam cada momento da apresentação.

A alegria de compartilhar os livros



Fátima Maia
Escola Monsenhor Antônio Assunção, no final do conjunto José Tenório. Fui recebida pela diretora Cristina de Fátima que organizou a turma no galpão do recreio, turma pequena, de primeiro ao quinto ano que, após conhecer o projeto, os autores e a sua importância para o enriquecimento da biblioteca escolar, conheceram também os  personagens da história da Tatibitati que contaram o nascimento da floresta com sua fauna e riqueza vegetais, por meio do conto e da música. 


A apresentação foi coroada pela alegria expressas nos olhares que acompanharam a história e na alegria de cantarem o repertório contido nas músicas além da felicidade de manusearem os livros com a certeza de que poderão lê-los brevemente na biblioteca da escola. O encerramento foi um momento à parte onde todos queriam ser fotografados com os livros e ainda fizeram fila para o autógrafo que ficou registrado nas suas agendas.

Fátima Maia na Escola Hévia Valéria



Cheguei à escola Hévia Valéria, no conjunto Vilage Campestre sob a direção de Marcilene Gomes e fui recebida pela vice diretora Eliane que organizou os alunos para me receberem em alto estilo e me acompanhou auxiliando-me na leitura. 

O pátio foi preparado com cadeiras, tal um auditório, mas, a escadaria, os corredores todos os espaços foram preenchidos pelos alunos e professores  ávidos para participarem da apresentação do projeto. Posso afirmar que ninguém arredou os pés do local, antes pelo contrário...Ouviram a apresentação com expectativa e queriam receber o livro como um belo presente... 

Eu, movida pela emoção, ao apresentar os livros e seus escritores fui distribuindo-os para que eles pudessem folheá-los, e aí... Todos queriam levá-los para casa e gerou uma pequena agitação contida pela explicação de que todos eles teriam acesso a esse patrimônio por meio da biblioteca da escola. Então como num conto de fadas, todos, depois de compartilharem os livros com os colegas os devolveram para caixa de leitura e compartilharam comigo uma tarde das músicas e das histórias que fiz exclusivamente para eles... E por eles.

Leitura não tem idade


Ricardo Cabús
Às 13h30 do dia 27 estava na escola Sagrado Coração de Jesus, em Cruz das Almas e logo diversas turmas foram levadas a uma das salas de aula, onde haveria a leitura. Foi um sucesso. Muitas crianças, muitas perguntas, muita alegria. Conclui as tarefas no prazo disponível e saí em direção a Ipioca, onde concluiria as últimas visitas.

A viagem foi agradável e cheguei à Escola Marechal Floriano na hora estabelecida. Só que mais uma vez era hora do lanche e tive que esperar um tempo. Começamos pelo Anexo da Escola, com as crianças mais novas. Todas, bem alimentadas, participaram ativamente da atividade. A garotada entrou no clima da leitura e tornou o momento agradável. 

Fim da leitura, as crianças voltaram às salas de aula enquanto eu preparava o material para ir embora. No corredor de saída, passei pela janela das salas e para minha felicidade recebia acenos carinhosos das crianças. Não deu para segurar a emoção.

Em seguida, desci a praça em direção à Escola principal, para realizar a apresentação para turmas mais avançadas. Ainda era hora do intervalo. Fiquei na quadra de esportes – onde faria a leitura – observando os garotos jogando bola. Na verdade não havia uma bola, mas um objeto transformado em bola – física e mentalmente. Entretive-me bastante. As crianças eram maiores e as brincadeiras diferenciavam das escolas e creches anteriores.

Enquanto montava o banner, as crianças observavam curiosas e eu explicava o que iria ocorrer após o recreio. Havia sido combinado que seriam os alunos da 3ª série, mas garotos das séries maiores pediam para ficar. Tocou a sirene e os funcionários chamavam todos para as salas de aula. Um garoto da 4ª Série se escondeu atrás de uma lixeira tentando ficar para a leitura. Não deu certo, foi visto e levado para a aula. Observei à distância. Nada pude fazer.

Então iniciei a apresentação e a leitura. Tudo transcorreu de forma prazerosa e participativa. Após algumas fotos, com a bateria do celular descarregando, juntei o material e encerrei a atividade. A sensação de prazer tomava conta de mim. Sai da escola após os cumprimentos de praxe e fui à praça, no Alto de Ipioca, admirar por alguns instantes aquela vista estrondosa do mar. O céu era azul, o mar era algo em torno do verde e a cor da brisa que refrescava minha emoção era indefinida. Veio-me uma tautologia: Maceió é bela. Estava estático e extático. 

Cabús se diverte com crianças de creche-escola


Na semana seguinte, 30 de março, a visita foi à Creche Herbert de Souza, na Vila Emater, Jacarecica. Tive dificuldade de contato, pois o telefone não atendia (depois soube que estava quebrado).  Decidi, mesmo assim, ir na hora marcada. Cheguei à Creche, tendo passado por um trajeto insólito.  Na busca do endereço, segui, após alguns desacertos, por dentro do antigo lixão de Maceió.


Paradoxalmente, o caminho entre os altos morros de lixo tinha uma vista incrível da praia de Jacarecica. Alguns caminhões ainda transitavam, carregando dali o reciclável. Segui lentamente, e após mais alguns percalços, cheguei à Creche, onde fui muito bem recebido pela diretoria. Era hora do lanche e havia uma comemoração de aniversário. Aceitei uma fatia de bolo e comi com as crianças. Em seguida fomos para uma sala preparada para a apresentação do Projeto.

Como na creche anterior, a garotada divertiu-se bastante. Muitas fotos foram tiradas. Saí pleno de alegria com a recepção das crianças. Na saída, ensinaram-me outro caminho. Desta vez não havia lixão, mas a vista era banal. 

Ricardo Cabús em visita à Creche Benevides



Quando fui convidado pela Simone para fazer parte do Projeto Trem das 10 e soube que – além da distribuição dos 350 livros – o autor teria que visitar cinco escolas para falar do projeto e ler uma história, pensei: vai ser legal. E foi.

Comecei pela Creche Benevides Epaminondas, em Riacho Doce. Era uma sexta-feira, 23 de março, o céu claro me envolvia no trajeto pela AL-101 Norte. Sem problemas no trânsito, cheguei antes da hora marcada. Os professores já me esperavam e as crianças estavam se aprontando para ouvirem a leitura. Montei o banner e após alguns minutos as crianças estavam todas sentadas. Eram pequenas, ainda sem idade para alfabetização. 

Comecei falando do Projeto Trem das 10 e em seguida passei a ler A Galinha Saudosa. Os meninos e meninas participaram com atenção e perguntas. Uma ou outra criança se destacava com um olhar, uma palavra ou um sorriso. Eu saí carregando olhares, palavras e sorrisos.